Nada nos desarma tanto e totalmente como uma criança e a morte, paradoxamente, estão nos limites da vida, ao mesmo tempo que o corpo está num nível frágil e totalmente entregue, protege-se a criança para evitar o pior, e o pior é justamente aquilo que no fim da própria vida lhe dará a condição inicial, uma estranha condição de fragilidade e divindade, qual o mistério da criança ? e qual o mistério da morte ? porque fugimos tanto de sua lembrança, e o medo do cemitério comprova nossa própria ignorancia no assunto...
É diferente mesmo, porque ficamos tão entregues a uma criança ? a obviedade do desarme, frente a alguem que não pode absolutamente nos fazer mal algum, altera se totalmente quando ela cresce e começa a andar pelos próprios pés.
Já morte nos remete a uma situação curiosa, se antes era quase impossivel perdoar ou ser paciente com um amigo que nos tirou algo, agora... já ali morto, na urna, sugeito a tudo, e totalmente dependente, dependente !!! estamos tão a vontade para perdoa-lo, e rever todos os momentos de ódio, vingança planejada e sentimentos de destruição... agora , estes sentimentos já não tem sentido, e ainda, nos arrependemos de telos tido, como se fossemos uma outra criatura.
Dois extremos da vida, a criança... e ela mesma, no outro extremo, no fim.
Tememos oque não conhecemos, e por isto... tememos o morto, ninguém ousaria criticá-lo agora, que revestido de uma aura absolutamente negra e misteriosa, só resta temer incoscientemente, e perdoar absolutamente tudo, remetendo-nos naquele momento, a uma pessoa perfeita na terra.
Estanho mito, que paralisa as emoções, e nos remete a uma reflexão obrigatória, nada há mais oque fazer, o corpo imóvel convida-nos a imobilizar tudo em nós... só restando as somas e subtrações mentais.